Flora

 

Era o ano de 1982. Precisamente em março daquele ano, eu recebi uma oferta para trabalhar durante alguns meses na Argentina, coordenando uma equipe de “hermanos” para botar em funcionamento uma nova unidade fabril. Para mim aquela oferta tinha caido do céu. Eu era jovem, solteiro, sem compromissos e além de representar um salto importante na minha carreira profissional, o meu espírito de aventura se empolgou com aquela oportunidade.

Feitas as malas, em abril eu já estava morando em Buenos Aires, em um pequeno e confortável flat. O prédio era antigo, como a maioria dos edifícios na cidade, naquele estilo tradicional de arquitetura francesa do século XIX, mas os apartamentos haviam sido todos reformados e eram modernos e perfeitos para o que eu precisava. Sala e quarto com cama de casal, um bom chuveiro, uma pequena cozinha e serviço de limpeza todos os dias.

Depois dos primeiros dias de deslumbramento com Buenos Aires, seus parques e ótimos restaurantes, aonde carne e batata frita são inigualáveis, me afundei de cabeça no meu trabalho, fiz alguns amigos na fábrica e principalmente acabei me encantando com Flora, a jovem e loira secretária de um dos diretores.

Passadas algumas semanas, Flora e eu estávamos namorando e sempre que possível ela passava as noites comigo no meu pequeno AP. Nessa confusão de trabalho e namoro, eu até tinha me esquecido que a Copa do Mundo estava por começar em junho e se não fosse pelo fanatismo que os Argentinos têm por futebol acho que nem teria visto a copa e passaria as tardes dos jogos entre os braços e pernas de Flora.

Como eu já disse, os Argentinos são fanáticos por futebol. Essa paixão pela pelota é incomparável a qualquer coisa que se possa imaginar no Brasil. Maradona já era para eles um Deus naquela época. Mas Deus mesmo. Os portenhos até hoje são capazes de matar e morrer pelo seu ídolo e pelo futebol. Nem mesmo o gigantesco Maracanã inteirinho vibrando, se compara ao que acontece num jogo no pequeno estádio “La Bombonera”. Futebol por lá é assunto de vida e morte.

E eis que a copa chegou e como único brasileiro na firma, eu era vitima de constantes piadas e gracejos. Apostas me eram propostas, me faziam gozações de todos os lados e claro, tinha que ouvir calado as inevitáveis  comparações entre Maradona e Pelé. Pelé, diziam eles, pode ter sido o rei do futebol, mas Maradona era o DEUS. E Deus será sempre Deus e assim sendo será sempre maior e melhor do que qualquer simples e mortal Rei…

Até Flora me gozava todos os dias e as coisas só melhoravam quando a gente ia para a cama e fazíamos amor. Aquela loirinha era uma delicia e pelo menos na cama não falava de futebol.

Até que numa tarde, creio que era domingo, depois da partida que classificou a Argentina para a segunda fase e os colocou no mesmo grupo do Brasil, tivemos uma discussão. Ela começou a me provocar dizendo que a Argentina ia golear o Brasil e levar a Copa da Espanha. Dizia que o Brasil era freguês e coisa e tal. Farto daquela conversa, eu propus então uma aposta. Se o Brasil perdesse, eu me vestiria com a camisa da Argentina para ir trabalhar no dia seguinte. Teria de agüentar todas as gozações e piadas. Mas se a Argentina perdesse, ela teria que vestir a camisa da seleção brasileira para que eu a fotografasse e depois poder mostrar aos colegas no escritório. Era uma aposta justa.

Chegado o dia do jogo, os colegas Argentinos ficaram na fábrica para ver a batalha, mas eu precavido e na verdade com medo, queira ver o jogo no flat. Infelizmente, meus colegas e Flora não me deixaram.

Assim, começamos a ver a partida na TV do refeitório. O jogo começou muito nervoso. Os dois times jogavam bem, mas o Brasil era melhor em tudo. E aos onze minutos do primeiro tempo Zico marca o primeiro gol para o Brasil. Eu queira pular, gritar, fazer algazarra… Mas diante de centenas de olhos argentinos querendo me fuzilar, acabei quieto no meu cantinho sem mexer um músculo. E não ficou por ai… O Brasil fez 2 a zero… Fez 3 a zero… Maradona foi expulso… O Deus havia virado diabo!… Perto do fim do jogo eu rezava pela minha integridade física e apesar da Argentina ter feito um golzinho no último minuto do segundo tempo, isso só serviu para aumentar ainda mais a irritação dos meus coleguinhas…

Acabado o jogo, com cara de poucos amigos, todos saíram da sala. Flora veio até mim e pediu para irmos embora. Sem mais palavras, saímos e caminhamos até o carro. Flora dirigiu calada até meu AP. Alias, havia um silêncio mortal na cidade. As ruas estavam vazias, poucos carros circulavam. Apenas alguns poucos  dos tradicionais ônibus velhos e coloridos de Buenos Aires, arrastavam-se pela cidade para  recolher grupos de torcedores que choravam pelas esquinas.

Chegamos ao AP e sem palavras Flora foi tomar uma ducha. Aí eu me lembrei da aposta e só então percebi que eu não tinha comprado uma camisa da seleção brasileira para que ela vestisse. – Droga, pensei, como farei para ela pagar a aposta?  Estava matutando sobre isso quando Flora saiu do banheiro enrolada em uma toalha com a cara triste, quase chorando e então eu a abracei e a beijei e disse que a vida era assim mesmo. Ela retribuiu meus beijos e em pouco tempo estávamos fazendo amor loucamente.

E num desses momentos de loucura, virei Flora na cama e ela ficou de costas para mim, com aquela bundinha branca e lisinha apontando pro céu. E ai, num ato de inspiração, eu disse:

– Já sei como voce vai pagar a sua aposta!

E morto de tesão me joguei sobre ela e forcei a penetração. Ela então gritou:

– Por la cola no…  (tradução: Pelo rabo não…)

Mas foi tarde… Eu já estava lá. E gozei como nunca. Foi inesquecível. 

Hoje, muitos anos depois, relembrando este acontecimento, eu acho que nunca mais terei uma tarde tão fantástica e tão cheia de emoções como aquela e sinceramente não sei definir o que me deu mais prazer: Ver o Brasil ganhar do time de Maradona ou botar na bunda da argentina.

 

This entry was posted in Mulheres. Bookmark the permalink.

3 Responses to Flora

  1. p says:

    ehehehe
    Pois é sem dúvida uma história e pêras… e foi uma rica maneira de a aposta ser paga!
    ehehehe
    Red kisses to you!!

  2. Sara says:

     hahahahaha você foi rei e deus num só momento! Um rei gozando como os deuses!Inesquecível  mesmo deve ter sido! E como  diria Klatuu ( Crônica da Peste): Viva EL REY!
     
    Beijos verdes e amarelos amigo.
     
     
     
    *Boa viagem, ótimo retorno e obrigada pelo carinho.

  3. MARIA CÉSAR says:

    "Ver o Brasil ganhar do time de Maradona ou botar na bunda da argentina"
    Queres mesmo q te responda??? rs
    Agora sim. Estou de volta! Ainda meio atrapalhada mas já "segredando". Obrigada pelas visitas em minha ausência.
    bjs e aguardo-te

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s