Bebel e Paris

 

Esta semana, meu trabalho me trouxe a Paris, depois de quase três anos sem passar por aqui.

Paris para mim é possivelmente a melhor cidade do mundo. Não fosse o clima, que na maior parte do ano é cinza e o número excessivo de turistas, Paris é a cidade ideal para se morar.

Por aqui há de tudo, inúmeros museus, artistas de vanguarda, uma arquitetura magnífica, parques por toda parte, pessoas elegantes pelas ruas, um transporte público eficiente e completo e uma culinária sem igual no mundo. Restaurantes, bistrôs, boulangeries e cafés em quase todas as esquinas, fazem a festa de quem gosta de comer e beber bem. Além de ser uma cidade bonita, Paris é charmosa e acolhedora.

Perdi a conta de quantas vezes estive nesta cidade luz, mas guardo de cada uma de minhas visitas, fatos deliciosos que marcaram minha vida para sempre.

Estava ainda na faculdade quando pisei por aqui pela primeira vez. Meu primo fazia uma pós-graduação na Sorbonne e me convidou para passar as férias juntos. Uma viagem barata, já que eu poderia ficar no apartamento dele. Vim para ficar três semanas e acabei ficando quase três meses. Só não fiquei mais para não perder meu ano na faculdade.

Paris é uma cidade para românticos e enamorados. Aqui se pode viver intensamente uma paixão e ela fluirá tão naturalmente como as águas do rio Sena que corta placidamente a cidade. Só quem passou por isto em Paris é que pode entender a mágica que por aqui acontece.

Por isso, posso me considerar um felizardo, pois foi por aqui em Paris que pude viver momentos inesquecíveis com quatro mulheres pelas quais estive apaixonado, alem de ter tido outras aventuras românticas, que guardo em minha memória com muito carinho.

Desta vez, vou contar aqui uma delas, meu caso com a resolvida e liberada Bebel. Será um post mais extenso dos que costumo escrever, mas acho que vale a pena ler. É uma estória bonita, de romance e paixão. Claro que uma estória assim só poderia ter acontecido em Paris.

 

Bebel

Muitos anos antes de a Internet haver se tornado o que é, eu já utilizava sistemas de e-mail. Aprendi os benefícios do correio eletrônico nos meus anos de faculdade. E foi através de uma BBS, precursora da Internet, que acabei conhecendo Bebel. Escritora, jornalista, separada do terceiro marido, Bebel era de uma inteligência fina e aguçada. Um verdadeiro estímulo ao meu pensamento e um desafio à minha capacidade de conquistar uma mulher.

Com esse perfil, é claro que Bebel só poderia ter uma posição de esquerda, socialista e adepta do PT. Um perfeito conflito para minha posição liberal, adepto da livre competição e da economia de mercado. Mas política à parte, nossas mensagens passaram a ser diárias e muitas vezes o tom esquentava ao defendermos posições altamente contrárias. Apesar disso, fomos construindo uma sólida amizade, ao estilo do que acontecia com correspondentes de antigamente, que pouco se viam e muito se escreviam.

Durante muito tempo, nossos contatos foram simplesmente via troca de mensagens. Falávamos de tudo. Altos papos sobre viagens, culinária, teatro, alem das infindáveis discussões sobre política.

Mantivemos contato dessa maneira por um bom tempo, até que certo dia houve a oportunidade de nos conhecermos num almoço organizado por uma empresa.

E, foi assim que nos conhecemos depois de vários meses trocando e-mails. Tivemos um almoço agradável. Diria que até formal. Na verdade foi uma surpresa adorável por que muito embora sempre teclássemos pelo computador, não tínhamos idéia de como éramos fisicamente.

A partir desse encontro, outros almoços e jantares aconteceram ao longo de alguns meses. Os contatos pessoais eram poucos, mas eram agradáveis e divertidos. Não sei bem quando foi, mas certo dia eu achei que seria bom ir pra cama com Bebel. No entanto minhas sutis tentativas de ganhar o seu leito se mostraram infrutíferas. Nem minhas melhores tiradas, ou indiretas elegantes, fizeram Bebel sair de sua postura reservada. Bebel era muito firme e sabia sair com elegância de situações em que outras mulheres teriam tropeçado.

Durante minhas viagens, ligava pra Bebel sempre que podia, afinal, pensava eu, existe certo charme em receber uma ligação internacional só pra ouvir um “oi”. Assim, passei a chamá-la de Nova York, de Londres, Buenos Aires ou de Paris, só pra dizer o “oi”, perguntar como ela estava, como ia o trabalho, enfim, essas coisinhas mínimas que mantém uma amizade sempre em alta. Na volta, às vezes trazia pequenos mimos, lembrancinhas para não perder a chance de demonstrar que eu havia me lembrado dela, mesmo com todos os meus afazeres.

Convidei-a algumas vezes a viajar comigo e mesmo assim ela não abria a guarda. Nas vezes em que ela também viajava a trabalho, tentava agendar meus compromissos para coincidir um encontro, fosse em Miami ou em Roma. Nada parecia dar certo.

Até que um dia, surgiu a chance que eu esperava. Bebel me avisou que iria passar uma semana em Paris.

– Férias, – disse-me ela. – e irei com uma amiga!

E, por aquelas coincidências estranhas do destino, eu havia sido convidado para fazer uma palestra em Paris na semana anterior à visita dela! Obviamente eu não contei sobre minha viagem e fiz planos para poder ficar mais alguns dias além do que meu trabalho exigia. Assim eu poderia fazer uma surpresa e encontrá-la.

Nas nossas conversas diárias, eu dizia, puxa que pena que não posso ir, ia ser muito bom, etc e tal. Para obter os detalhes da viagem dela, inventei que um amigo meu da Argentina, o Roberto, iria a Paris na mesma semana e que eles poderiam se conhecer. No princípio ela achou estranho, mas depois disse que como era meu amigo, poderiam até se encontrar.

E dessa forma sutil, acabei descobrindo aonde ela ficaria e fiz minhas reservas para o mesmo hotel.

Finalmente fui para meu congresso em Paris, anunciando que viajaria para a Colômbia. Fiz minha palestra e aproveitei o fim de semana andando sozinho pelas ruas e avenidas da mais romântica cidade do mundo. E com tempo livre para pensar, aproveitei esses dois dias para arquitetar um plano que deveria ser infalível. Seria uma oportunidade única para ter Bebel na minha cama.

No dia previsto para sua chegada, tudo estava perfeitamente preparado. Se o encontro com Bebel ocorresse como eu imaginava, haveria uma boa chance de meu plano dar certo. Tudo dependeria de como se desenvolvesse o clima da conversa naquela noite.

Bebel só chegaria no meio da tarde daquela segunda-feira e eu aproveitei para alguns contatos de trabalho e para verificar os preparativos de meu plano. E pontualmente as 18:00 horas, eu estava no lobby do hotel ligando para o quarto de Bebel.

Fingindo ser quem não era, fazendo uma voz de cantor de tango argentino, apresentei-me como o famoso amigo Roberto, com quem ela deveria se encontrar. Depois de alguns minutos de conversa fiada, Bebel não acreditou quando percebeu que eu era o Roberto.

– Vim te fazer uma surpresa e te convidar pra jantar hoje a noite… (era a primeira isca para meu plano…)

– Puxa, não posso, eu já combinei um jantar com amigos meus aqui de Paris e amanhã eles vão viajar…

Claro que foi um erro da minha parte. Achei que Bebel chegaria cansada e que não teria nenhum programa para a primeira noite. Ledo engano. Meu plano estava fazendo água. Eu havia escolhido um belíssimo restaurante, o Julien, culinária clássica francesa, estilo “art-deco”, champanhe para o jantar… Eu precisava fazer algo urgente…

– Mas eu também vou embora amanhã…

– Bom… então que sabe jantamos todos juntos?

Era a única alternativa. Pelo menos ganharia tempo para pensar no que fazer. Combinamos de nos encontrar no lobby as 20:00 horas e aquelas duas horas me dariam tempo para lidar com essa mudança imprevista.

Nos encontramos no lobby na hora marcada. Bebel estava com ar de cansada, mas se mostrou alegre em me ver. Conheci Rose a amiga que viajava junto com ela e logo pedimos um carro para nos levar ao restaurante combinado.

De taxi, cruzamos Paris ao anoitecer, passamos pela Place de la Republique, pela Bastille, pela Nouvelle Operà. É sempre maravilhoso passear por Paris a noite e ver seus belíssimos monumentos sempre iluminados.

Finalmente chegamos a um pequeno restaurante italiano (e eu que imaginara um maravilhoso jantar francês…) bem fora do circuito turístico tradicional. O grupo de amigos era de umas dez pessoas, eram artistas e jornalistas brasileiros morando na Europa e dois deles já eram então bem famosos no Brasil. Claro que não direi seus nomes, por uma questão de respeito e privacidade, mas quem vê o Jornal Nacional da TV Globo, com certeza já os viu na telinha. Sentei ao lado de Bebel, mas assim com tanta gente era difícil uma aproximação mais direta ou ter uma conversa mais íntima. O tema geral da conversa não poderia ter sido outro que não a política brasileira. Coisa típica de jornalistas… E eu que havia imaginado um jantar romântico, nós dois sozinhos, cercados de franceses que não entenderiam nada do que estivéssemos falando, estava ali, com um bando de brasileiros cheios de olhares curiosos e atentos ao comportamento do “convidado” de Bebel… Que fazer??? Que fazer??? Estava dando tudo errado em meus planos…

Mas em Paris a mágica acontece no momento certo. Na saída do restaurante, todos se despediram e decidimos que tomaríamos o metro de volta para o hotel. Finalmente, pude caminhar algumas quadras sozinho com Bebel. Sabia que teria apenas poucos minutos para convencê-la a não voltar de imediato ao hotel.

– Já que eu vou embora amanhã, você gostaria de ir comigo até um café no Quartier-Latin?

Talvez não tenha sido a melhor cantada, mas imaginei ser suplicante o suficiente para não receber um não…

– Mas e minha amiga? Não posso deixá-la sozinha…

Droga… mais uma dificuldade, pensei eu cá com meus botões. Disse a Bebel para convidar Rose para ir junto, muito embora não estivesse nos meus planos um programa a três… E foi ai que finalmente minha sorte começou a mudar. Rose, percebendo que havia certo interesse pairando no ar, alegou que estava muito cansada e que ela preferia ir dormir.

– Melhor vocês irem sozinhos, eu serei péssima companhia – Disse Rose.

E foi assim que depois de uma pequena corrida de metro, descemos na estação de Saint German du Près para caminhar na noite fria e agitada daquele bairro boêmio da cidade que um dia foi chamada Lutece.

O frio era aconchegante e depois de andar algumas quadras, meus braços naturalmente envolveram Bebel e seguimos assim abraçados até um dos pequenos cafés do Boulervard Saint Germain.

Entramos e pedimos um conhaque. Falamos de nossas vidas, das frustrações de viver sozinhos e de fatos que haviam marcados nossas vidas. O tempo passava e já era tarde. Queríamos voltar ao hotel antes que o metro fechasse. O clima entre nós estava ficando propício e romântico. Meu plano estava voltando aos trilhos originais, depois de ter feito um desvio de rota fora de meu controle.

No caminho de volta ao hotel lancei outra isca do meu plano: Contei a Bebel que eu havia comprado um presente para ela. É claro que ela ficou surpresa e eu disse que o daria quando chegássemos. Na recepção do hotel eu disse:

– Você sobe comigo para pegar o presente?

Ela ascenou com um sim e então paramos o elevador no meu andar e ela me acompanhou até o quarto. Abri a porta e graças a um pequeno truque que eu havia treinado antes, consegui fazer com que a porta não se fechasse sozinha, como costuma acontecer com portas de quartos de hotéis. Com isso, Bebel pode ver o que havia na mesa bem na entrada do meu quarto: Uma linda cesta de frutas com cerejas, uvas, morangos  e framboesas, além de uma garrafa de champanhe dentro de um balde com gelo.

– Você aceita uma taça de champanhe? – disse eu entregando o presente que havia comprado naquela mesma manhã em Paris.

Bebel deu dois passos e entrou no meu quarto. O plano estava funcionando! Pelo menos ela já estava dentro do meu quarto! Enquanto ela abria o embrulho do presente, eu estourava a garrafa de champanhe. O presente era um micro baby-doll da Perlà, lindíssimo, de seda verde água, de alcinhas e bem bem curtinho.

Bebel me olhou nos olhos, disse obrigada e ao me abraçar, sua boca se chegou à minha, seus lábios se abriram e nossas línguas se cruzaram em um longo e delicioso beijo.

Bebemos champanhe e comemos morangos, uvas e cerejas. Finalmente eu perguntei se ela gostaria de passar a noite comigo. A resposta veio com outro beijo. Logo depois fui até o banheiro tomar uma rápida ducha. Voltei enrolado em uma toalha e ela me esperava, já na cama, não deitada, mas de joelhos para me exibir a transparente camisola verde, que lhe cobria apenas parte dos seios e descia até a pélvis, deixando-me ver o resto de sua nudez, suas coxas bem torneadas e seu monte de vênus. Finalmente, linda e loira, tinha Bebel na minha cama.

Ao me deitar, Bebel pediu que eu ficasse de bruços e começou uma deliciosa massagem. Logo depois uma camisinha estrategicamente colocada horas antes na mesinha de cabeceira, encontrava seu destino ao ser colocada em mim, com muito cuidado pelas mãos carinhosas de Bebel.

Finalmente todo o planejamento que eu fizera, as compras de frutas no mercado, a preparação prévia da champanhe no balde, ter aprendido a manejar a mola da porta, a escolha da lingerie Perlà, o passeio romântico por Paris, estavam rendendo seus deliciosos resultados.

E fizemos amor. E muito. Entre as pausas e descansos, trocávamos beijos, caricias e palavras suaves. Beijei seus seios, sua virilha, suas nádegas. Ela retribuiu com suavidade e competência. Depois do que parecia uma eternidade, exausto adormeci abraçado a ela. Um sonho havia se realizado.

Acordei depois de poucas horas de sono. Já era dia claro. Bebel saiu logo em seguida do meu quarto, pois estava preocupada com Rose. Ela não queria ter que dar explicações. Mas não foi necessário falar nada. Rose foi elegantemente discreta para nada perguntar e não fazer comentários. Mas era evidente que ela deduzira o que havia acontecido.

Combinamos de nos encontrar logo depois do café da manhã. Assim haveria tempo para que eu arrumasse minha mala e preparasse as últimas coisas pendentes do meu trabalho.

Ao final daquele mesmo dia, eu voltaria ao Brasil. Era feriado na França. Dia da Liberação do exercito nazista. Paris era uma festa. Cheia de bandeiras francesas, flores por toda parte, música pelas avenidas, crianças brincando nos jardins e nos tantos carrosséis que há espalhados pela cidade. E saímos os três para aproveitar o magnífico e ensolarado dia de primavera, passeando por entre os ruídos e as típicas sirenes das buzinas de Paris e do burburinho de uma cidade privilegiada, cheia de história, cultura e romance. Notre Dame, Isle de St. Luis, o Sena, Place dês Voges…

Algumas horas depois, parti sozinho para o aeroporto Charles de Gaule. A Varig me esperava para me trazer de volta ao dia dia de meu trabalho no Brasil. Longe do romance, da paixão. Longe da efervescência parisiense.

Jamais esquecerei minha noite com Bebel. Estou certo que ela também não. Continuamos amigos até hoje. Bons amigos. Mas nunca mais houve o clima de romance e sedução que nos envolveu naqueles doces momentos que compartilhamos juntos. Tudo aconteceu em menos de 24 horas.

Às vezes eu comparo esta linda aventura a um filme romântico e me pergunto se foi mesmo realidade ou se o que aconteceu foi apenas um flash-back em minha memória, de um roteiro já produzido em Hollywood.

Minha noite com Bebel foi como sonho de um poeta, que um dia se fez verdade, pela magia que habita a noite fulgurante de Paris.

 

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2 Responses to Bebel e Paris

  1. MARIA CÉSAR says:

    Huummm……. desse jeito ficamos com água na boca!!! Bela noite de paixão….. mas quer saber um "segredo"? Acho q a Bebel não resisitiria mesmo q não fosse em Paris! rs
    bjs brasileiros mas com o encanto dessa noite em Paris

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