Beatriz

 

Acordei no meio da noite sentindo gotas de suor escorrer por minha testa. Olhei o relógio e me assustei em perceber que ainda eram quatro horas da manhã. Beatriz, a meu lado, dormia profundamente indiferente aos movimentos que eu fazia na cama. Sentei-me, apoiando as costas nos travesseiros e fiquei a observar Beatriz completamente nua e entregue a seus sonhos.

Apesar da hora, a claridade da lua cheia penetrava pela janela do nosso quarto do hotel e olhando para as formas de minha companheira era impossível não admirar suas curvas lascivas por sobre os lençóis. Havíamos feito amor loucamente depois de nosso jantar celebrando um ano em que estávamos juntos, informalmente casados e houvera sido uma noite memorável. Para celebrar a data, aproveitamos que eu teria que participar de um congresso na Holanda e tiramos uma semana de férias para ficarmos longe de tudo e de todos. O jantar daquela noite houvera sido maravilhoso e anjos e demônios conspiraram para uma noite de amor indescritível.

Espalhados pelo quarto, nossas roupas eram testemunhas dos ais e gemidos que lá haviam acontecido. Além disso, um brinquedinho erótico que Beatriz que havíamos comprado em uma das tantas sex-shops da “Red Light Zone” de Amsterdam. Dino, como apelidamos o tal instrumento, repousava ereto e desafiador na mesinha de cabeceira. Beatriz adorava essas bugigangas eróticas e brincar com eles fazia parte dos nossos jogos preliminares.

Pois ali estava eu deitado observando as curvas de Beatriz, quando uma idéia pornô-erótica me veio à mente e me levou a uma ereção imediata. Sem perder um segundo, levantei-me, peguei o Dino sobre a cabeceira, coloquei um pouco de gel e com firmeza, porem delicadamente, introduzi-o no bumbum de Beatriz que ainda dormia. Claro que ela acordou meio assustada, mas ao perceber o que acontecia, deu um sorriso e continuamos naquele jogo. Alguns momentos depois, Beatriz me pediu “me come” e assim fiz. Em minutos, eu gozei profundamente enquanto ouvia os gemidos de minha companheira. Foi então que percebi que Dino continuava vibrando dentro de Beatriz, indiferente a tudo que havia acontecido.

Fiz esta introdução, apenas para que vocês tivessem uma idéia da louca relação sexual que tive com Beatriz.

Eu a conheci na Universidade, quando ela foi minha aluna. Beatriz era alta e magra. Uma morena de cabelos nem curtos nem longos e lindos olhos verdes. Tinha um olhar maroto e sabia ser provocante. Muitas e muitas vezes tive que resistir a tentação de não olhar para suas pernas expostas pelas curtíssimas mini-saias que ela usava. Às vezes, eram decotes ousados e confesso que adorava quando ela vinha me fazer perguntas e ao se reclinar sobre minha mesa, eu tinha uma visão privilegiada dos seus seios. Hoje sei que ela fazia isso de propósito, mas enquanto ela foi minha aluna, tratei-a com todo o respeito e indiferença.

As coisas começaram a mudar quando Beatriz se inscreveu para o mestrado. Embora ela não fosse mais minha aluna, ela vinha às vezes me consultar sobre alguns tópicos do seu trabalho. Começamos então uma relação mais informal e um dia ela me convidou para sua festa de aniversário. Conheci sua família e seu então namorado.

No dia da apresentação de sua tese, eu estava na platéia e aplaudi feliz o resultado. Três notas dez. Fui cumprimentá-la pelo sucesso e ela insistiu para que eu fosse a pequena festa de celebração. Haviam se passado quase quatro anos em que ela houvera sido minha aluna. Ela houvera amadurecido e uns poucos quilos a mais tinham feito de Beatriz uma mulher escultural. Longe ficara a estudante magricela. E eu me convenci que estava olhando para Beatriz com olhos muito diferentes.

Depois da tese, como ela havia se tornado professora auxiliar, passamos a nos encontrar com certa regularidade na Universidade. Participávamos das mesmas reuniões de conselho e almoçávamos juntos algumas vezes nos restaurantes próximos Trocávamos algumas pequenas confidências, como o fim do namoro dela, pequenos problemas familiares e coisas assim. Além disso, eu tinha terminado meu segundo e turbulento casamento há pouco mais de um ano e começava a me sentir livre, leve e solto para novas aventuras. Eu começava a me interessar por Beatriz, mas não sabia como esse caminho iria se desenrolar.

Um dia, fomos ambos convidados para o lançamento do livro de um dos professores da Universidade e Beatriz me pediu uma carona, pois por uma coincidência do destino, seu carro não havia ficado pronto do concerto. Fui buscá-la no apartamento em que ela ainda morava com a família e fomos para o evento. Duas taças de champanhe e um jantar depois e a noite terminou na porta da casa dela com algo mais do que um beijinho de despedida. Aquela noite tinha sido um ótimo começo.

Passamos a namorar… e depois de alguns meses e de uma viagem juntos para o um fim de semana prolongado em Angra dos Reis, Beatriz passou a dividir suas noites entre o apartamento dela e o meu. Finalmente ela se mudou definitivamente para morar comigo e fizemos um jantar em casa para convidar os amigos mais chegados. Passamos a considerar aquela data como sendo a data de nosso casamento.

Beatriz se revelava uma mulher incrível. Meiga, brincalhona, profundamente estudiosa e fantástica na cama. Seu único ponto fraco era a cozinha. Mas eu não me importava com isso. Adoro cozinhar e essa parte das tarefas domesticas passou a ser minha responsabilidade. Mas ela lavava os pratos…

Beatriz era marota, sensual, sabia me provocar e se divertia com isso. Sexo era o alimento da vida – dizia ela. E ela praticava o que dizia. Nas minhas viagens para participar dos congressos, Beatriz quase sempre me acompanhava e era nessas viagens que seu espírito erótico mais se iluminava. Ela adorava me provocar. Uma vez no avião, ao voltar do toalete ela me disse:

– Estou sem calcinha… tirei pra você…

Outras vezes, quando estávamos em algum restaurante ou Shopping Center, ela me provocava abrindo os botões da blusa para me presentear com a visão de seus seios perfeitos. Tudo isso acompanhado malicioso sorriso de seus lábios vermelhos. Essas atitudes sensuais, provocativas, diria até exibicionistas, me excitavam tremendamente e eu não via o momento de ficarmos sozinhos e fazer amor como um adolescente em plena ebulição hormonal.

Durante três anos tivemos uma vida maravilhosa. Intensa. Nossa vida sexual era inacreditável cheia de aventuras e romantismo. Mas um belo dia um mal estar, foi o primeiro sinal que havia algo errado. Algumas dores que insistiam em não passar, até que o diagnóstico nos mortificou irremediavelmente: Um tumor no pâncreas avançava inexoravelmente.

Foram então seis meses de dor e sofrimento até o desenlace final. Mesmo com os tratamentos e cuidados, nada podia mudar o curso daqueles fatos. Restou como única alegria poder relembrar os momentos maravilhosos que Beatriz me proporcionou. E foi por ela que por fim que meus versos se tornaram poesia.

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2 Responses to Beatriz

  1. MARIA CÉSAR says:

    Realmente, uma história assim é pra sempre ser lembrada com carinho! Identifiquei-me bastante – como presumiste – com a tua Beatriz. Linda história, apesar do triste final. Mas, acredito, que os momentos vividos jamais deixarão que a tristeza tome conta desta lembrança.
    bjs sentidos pra ti Poeta

  2. Sara says:

    Linda história que emocionou-me profundamente, creia. Beatriz está viva lindamente em suas lembranças e imortalizada através dos seus versos.
     
     
     
    Carinhoso abraço e um beijo.

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