Helena

 

Loira, riso farto, alegre. Olhos profundos e penetrantes. Helena me cativou desde a primeira vez que cruzamos nossos olhares. Sua presença era marcante e por onde passava não havia alguém que pudesse esquecê-la.

Em pouco tempo estávamos namorando. E uma paixão imensa tomou conta de nossa relação. Vivíamos intensamente, sempre juntos. Foram festas, jantares, viagens, fins de semana na praia. E amigos, muitos amigos, todos sempre juntos curtindo as brisas e alegrias do verão no auge de nossas juventudes.

Do namoro às intimidades foram poucos passos. A enorme paixão que nos envolvia, se transformou em loucura sem fim. Foram tardes e mais tardes, dedicadas a carícias, beijos loucos e a fazer amor em sofás, nos tapetes e aonde nossos corpos pudessem se apoiar para ficarmos juntos.

Nossa paixão elevava nossas vidas para algo distante da realidade. Nada nos importava e tínhamos total certeza que nada poderia se interpor aos nossos desejos. Éramos reis da vida e o sublime desejo que nos envolvia transformava cada momento junto em uma eternidade de doçura e num orgasmo infinito.

Nossas férias eram no mar. Procurávamos praia distantes e isoladas. Fizemos amor dentro do mar. Fizemos amor nas pedras da arrebentação enquanto gaivotas revoavam embaladas com nossos murmúrios de paixão. O rítmico estrondo das ondas soava orquestrado acompanhando nossos sussurros. Exaustos, dormentes, amados… Várias vezes deitamos nossos corpos sob o calor do sol, para escutar a suave brisa sibilante trazendo os murmúrios do oceano.

Foram noites inesquecíveis de amor, com o fogo da paixão ardendo em nossas almas e a alegrias de descobrir os sentidos ocultos em cada parte de nossos corpos. Minha boca beijou cada centímetro daquela mulher e provei de cada sabor de sua pele. Do doce calor de sua língua, ao sabor de sal de seu sexo.

Passamos dois anos juntos. Foram anos de paixão e de descobertas. Foram noites caminhando pela praia e escutando as horas mudarem o ritmo do mar e as cores do céu. Muitas e muitas vezes o alvorecer nos encontrou juntos, simplesmente abraçados ou de mãos dadas pelo horizonte.

A rede na varanda serviu de abrigo e aconchego. Dormíamos ao suave vai e vem das cordas oscilando nos ganchos da parede. Éramos como pombas arrulhando. Éramos como simplesmente um.

Nós nos amávamos a cada toque, a cada palavra. Dentro de meu carro, ficávamos horas juntos esperando o por do sol. Dançávamos sempre. E como dançávamos. Da mais pura valsa ao mais ousado tango, todos os movimentos serviam para que nossos corpos se tocassem, entrelaçando dedos e pernas e sentindo o calor de nossas peles invadir com paixão nossas almas.

Foi com Helena, que pela primeira vez em minha vida pude entender que sexo, paixão e amor poderiam ser absolutamente a mesma coisa. E quando esta combinação mágica acontece, aprendi a escutar o silêncio divino que nós envolve num êxtase indescritível.

Helena passou a ser a única e total razão de minha vida. Cada momento, cada ação, cada palavra, tinha como único objetivo me fazer ficar cada vez mais próximo a ela. E foram meses vivendo assim, dois anos de total loucura e paixão desenfreada.

Mas, o relógio do tempo com seu ritmo incessante muda pedras e geografias. Quem éramos nós para resistir? Pequenas coisas. Ínfimas palavras. Sentimentos aguçados. As desavenças começaram por essas miudezas. Hoje, olhando para trás vejo que na verdade, nossas personalidades foram mudando ao longo do tempo e apesar do esforço feito para resistir e continuar, um dia a separação não teve volta.

E foi sofrido. Ah, como foi. Foram meses e meses de uma dor seca, de uma mágoa triste e doida e de um gosto de amargo no fundo da alma. Muito do que fui nos anos seguintes de minha vida, foram reflexos dos dias vividos com Helena e do sofrimento daquela perda. Tornei-me duro, exigente, buscando apenas o momento de gozo imediato. Não queria envolvimentos. Não queria passar pelas mesmas dores e sofrimentos. Mas a vida continuava e eu continuei esperando que uma nova paixão fizesse renascer minha alma. Do fundo daquela tristeza em que eu havia mergulhado apenas uma esperança, uma tênue esperança me mantinha caminhando pela vida.

E assim como o sol que renasce todo novo dia no brilho do amanhecer, eu esperava que algum dia, minha vida também renascesse. De alguma forma tinha certeza que isso aconteceria. E um dia, aconteceu. Mas essa parte não pertence a estória de Helena e portanto não vou contar aqui.

Helena… Hoje ela ainda me traz as poéticas e belas lembranças dos verões de minha juventude. Depois de tantos anos é claro que não sou mais quem fui assim como ela já não traz no olhar o mesmo brilho de nossos loucos anos. Não a vejo ha muitos anos. Acho que talvez nem mesmo a reconheceria depois de tanto tempo. Alguns amigos que temos em comum, de vez em quando me contam alguma coisa de Helena. Hoje ela vive a beira mar. Numa cidade de verdes mares e coqueiros pela orla. Uma cidade de encantos e magias. Uma cidade como aquela em que passamos os verões de nossa juventude. Nada mais sei sobre Helena, mas ficaria muito alegre em saber que ela conseguiu finalmente realizar os sonhos que um dia juntos tivemos.

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3 Responses to Helena

  1. p says:

    Tão linda esta história de amor… igual a tantas outras sentidas e vividas por tantos amates, mas por muito poucos descrita assim.Muito bom ler-te de novo!Andei meio desaparecida da blogosfera, obrigada por não teres deixado de passar pelo meu RedLightSpecial.Beijinhos,Red

  2. MARIA CÉSAR says:

    Realmente, vc é um homem de grandes paixões!!!
    Perguntou-me como seria a vida amorosa do poeta na atualidade……..rs
    Mas sei q, talvez, ainda não seja hora. Aguardarei e me deliciarei com as histórias do passado até q cheguem as do presente.
    bjs curiosos

  3. Sara says:

    Bela história. Você é um homem feliz, Maximus! Tem muitas gavetas umas abertas, outras por abrir sobre seus sentimentos. Acho uma pena quando um amor tão completo se desfaz por coisas tão ínfimas. Afinal, o amor deve ser sempre maior que as nossas imperfeições humanas. Gostaria de ter amado mais, errado mais ( éh Titãs rsrs), vivido mais. Sempre fui mais amada do que amei ( muito cômodo, você não sofre, mas pode fazer sofrer), o que me negou vivências e experiências. Hoje, queria ter amado mais, seria o mais certo e mais completo, tanto quanto complexo. Sinto um desconforto que me incomoda bastante. Eles ( pouquissimos) e "Ele", se preocuparam sempre em satisfazer  todos os meus sonhos e caprichos. Esqueceram dos meus desejos ( o que antes mão me dava conta), mas que hoje aflora com intensidade e multiplicam-se, e por alguma razão venho me questionando e complicando um pouco minha vida, nesta busca. Gostaria de ter tido mais histórias. Neste momento de maturidade, deveria ser de sossego. Encontro-me desassossegada.Enfim, estou aqui falando de mim sem parar rsrs. Outro dia disse a meu  analista do porquê estar lá, se hoje contamos com a internet para falarmos e nos mostrarmos tanto. Ele disse: boa pergunta. Voce está certa. Volte com a resposta. Não voltei mais. Até que eu tenha uma. Embora esperasse a resposta ou um pronunciamento dele.
     
    Beijos desassossegados

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