A Lamina

 

A lamina, navalha
Corre profunda
Pela minha carne

Abre-se a fenda,
Cria-se a chaga
Escorre viscoso
O líquido vermelho

Assim penetrastes minha alma
Como uma dor imensa
A deixar cicatrizes
Que me serão eternas.

Mas essa dor sem fronteiras
Não foi causa de teus atos.
Senti-me assim, na tua partida
Para a terra desconhecida
De onde não se volta mais

A lamina, navalha
Corre profunda
Pela minha carne

Abre-se a fenda,
Cria-se a chaga
Escorre viscoso
O líquido vermelho…

 

Poeta Maximus / 2008

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2 Responses to A Lamina

  1. p says:

    Profundo o teu poema, cortante… lembrou-me esta música que aqui te deixo… nem sei bem porquê: http://br.youtube.com/watch?v=XoJ8qZcQfs0É como se o liquido vermelho que te escorre fosse o diabo no corpo do desejo, fiquei com essa sensação… delírios meus talvez.beijo***

  2. Sara says:

     woooooooolllllll! Sou chegada a um tipo de vampirismo poético rss. Adoro um poema visceral….Como esse que entranha na mente espalhando pelo corpo emoções convulsivas. E também lembrou-me Hilda Hilst…Guitarra de prata de Cecília Meireles e tantas outras….Você realmente entende a alma feminina. Esta torturante dor  de viver conflitos  e sentir na essência feminina a dualidade da vida e dos amores. Mas esta é a dor da partida,  da perda,  dor dilacerante esta…Tão profunda que as chagas abertas vivem a escorrer o " liquido vermelho"…. Sensacional, Maximus!
     
    Em grande estilo!
     
    Beijo

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