O Desconhecido

Um barulho diferente na sala chamou-lhe atenção. O que poderia ser? Ela tinha certeza de ter trancado todas as portas do apartamento. Em uma rápida olhada no relógio de cabeceira ela viu que eram 3:15 da manhã. E de novo o silêncio profundo a fez relaxar. Estava cansada, não queria sair da cama para ver o que havia acontecido. Um sonho. Pesadelo com certeza. Virou-se para o outro lado, abraçou o travesseiro e acomodou-se para tentar dormir de novo, mas ela sentiu então, que alguém se sentava na cama, bem do seu lado. O colchão deformado não deixava dúvidas. Aterrorizada ela queira gritar, mas com o coração quase lhe saindo pela boca, mal tinha forças para respirar e nenhum som saia-lhe da garganta.

Uma mão delicadamente tocou-lhe o rosto ao mesmo tempo que uma onda de pânico invadia seu corpo. Um forte inspirar fez com seus pulmões se dilatassem. Queria gritar mas com o pavor que estava sentido, seus músculos ficaram paralisados e ela não conseguia mover-se ou esboçar a menor reação. A mão que lhe tocava, moveu-se com delicadeza , deslizou sobre a sua face e ela sentiu apenas um dedo verticalmente a frente de seus lábios, numa clara indicação de quem estava ali a seu lado pedia-lhe que fizesse silêncio.

Ofegante, ela apenas sentia sua respiração acelerada. A única luz no quarto era aquela que os números vermelhos do relógio lhe proporcionava. Ainda que assustada, ela conseguia distinguir no meio daquela profunda penumbra, a silhueta de alguém, sentado ali a seu lado. Em um esforço para controlar-se ela se moveu para ajeitar-se melhor na cama, tentando afastar-se dali. Mas ao mesmo tempo pode sentir uma mão a acariciar seu braço, do ombro até o cotovelo, para baixo e para cima, repetidas vezes. E assim por uns bons minutos nada mais aconteceu alem desse toque, que em outras circunstâncias, ela teria entendido como uma suave massagem, ou até mesmo, um gesto de carinho.

Ela sentiu então que as cobertas eram levantadas e quem estava ali sentado, adentrava sua cama para deitar-se a seu lado. Ouvia-se apenas o silêncio. E assim, entre pensamentos confusos e na busca de uma ideia que lhe permitisse fazer algo para sair daquela situação, ela sentiu um braço envolvendo seu corpo pela cintura. Curiosa, ela moveu sua mão para tocar aquele braço. Pode então sentir os músculos masculinos e os pelos que lhe cobriam a pele e pela primeira vez teve certeza que era um homem que se deitara em sua cama.

Ficaram assim, silenciosos e sem movimentos. Estavam abraçados como qualquer casal estaria em uma noite fria. Havia um torpor em suas ideias. O sono, o cansaço, o susto daquela situação fizeram que seu corpo reagisse com fortes doses de adrenalina mas passado os primeiros momentos em que o hormônio age como uma forte descarga elétrica, ela começava a pagar o preço daquela energia adicional que o instinto de sobrevivência lhe havia proporcionado e uma sensação de profundo cansaço penetrava- lhe o cérebro e relaxava seus músculos. Sim… aquilo era um pesadelo. Não havia ninguém em sua cama a lhe abraçar. Fora tudo forjado pelo seu subconsciente e logo ela acordaria e tudo voltaria ao normal. Talvez apenas uma enxaqueca no dia seguinte, como resquício do susto do pesadelo, da adrenalina e da noite mal dormida.

Apaziguada em seus pensamentos, vagando entre a sonolência e a vigília, a memória a fez voltar no tempo, de quando era ainda uma adolescente e de quando se deitou pela primeira vez na vida com o homem pelo qual estava apaixonada. Foram lembranças boas, cheias de carinho. Lembrava dos beijos, das carícias mais atrevidas, da primeira vez que em que ficaram nus e fizeram amor. As lembranças daqueles momentos eram muito vívidas. Lembrava-se da mão do amado a percorrer-lhe os seios, a acariciar seu abdômen e safadamente penetrar sua calcinha. Lembrava dos dedos a tocar-lhe o sexo umedecido e a provocar-lhe a descoberta de sensações de prazer e de um afeto profundo. Ah… como haviam sido bons aqueles momentos. Eles agora estavam tão reais em seus sonhos que era como se de fato estivessem acontecendo. E ela se entregava a eles com um prazer enorme e sentindo uma felicidade que há muito pensara nunca mais ocorreria em sua vida.

Era como se ele estivesse ali de novo, a provocar-lhe o mesmo tesão de adolescente, o mesmo prazer das descobertas. E ela se entregava integralmente a viver aquele sonho com se realidade fosse. Ah… como era bom pode abraçar aquele homem, poder beijá-lo, abrir-se para ele. Entregar-se totalmente entre as cobertas, sem limites e sem pudores, mesmo sem reconhecer sua face. Quanto prazer aquilo lhe dava. Era um orgasmo inebriante, intenso, eterno e ela não queira despertar daquele sonho.

….

O barulho irritante do despertador a fez acordar assustada. Eram seis e meia da manhã e ela não poderia deixar-se abandonada na cama como gostaria para ficar lembrando do bons momentos que seu sonho lhe havia trazido. Ela teria que se arrumar com cuidado para ir a uma reunião importante e isso exigiria muito tempo. Coisas de mulher. Espreguiçando-se ela aproveitou para dar um tapa no velho relógio para fazer com que ele calasse daquele pavoroso ruído metálico. Ainda bocejando e sem sair da cama, ela sorriu maliciosa ao lembrar-se como havia sido despudorada em seu sonho. Que susto e que pavor o pesadelo com aquele homem estranho lhe houvera causado. Mas em contrapartida, o belo sonho que tivera depois havia sido maravilhoso.

Os raios de luz da manhã penetravam por entre as frestas da cortina e aquela linda luz matinal era um presságio de que o dia seria muito bom. Ela se sentia feliz e decidiu sair da cama e ir até o banheiro.

Sorrindo, nua em frente ao espelho, ela podia observar seu corpo de mulher feita e estranhou uma mancha roxa na altura do pescoço. Não podia imaginar como aquilo havia acontecido. Mas… porque ela estava nua? Ela se lembrava muito bem que havia vestido uma camisola para dormir… e suas pernas estavam frias e úmidas e ao tocar seu sexo para saber se havia ficado menstruada, ela confirmou a origem daquela umidade.

E foi então que ela desmaiou ao descobrir que não havia sangue entre suas pernas, mas apenas sêmen claro e viscoso, que escorria abundante de sua vagina a molhar-lhe as coxas…

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One Response to O Desconhecido

  1. marrie says:

    Ficção…. tudo bem,

    Mas qto às fantasias, hum, essa estória não é tão irreal assim! rs
    Já falei para meu marido q desde a adolescência gosto de imaginar-me a ser bolinada por alguém proibido. Não precisamente um estranho, mas alguém q definitivamente não devesse assim o fazer. Imaginava, por exemplo, q talvez estivesse dormindo e começasse a sentir as carícias desse alguém (q foram vários, é claro! rs), mas nada fazia. Fingia q continuava dormindo…..rs

    E confesso….. gosto tanto desta fantasia q por vezes, durante esses vários anos de relacionamento, pedi para q ele mesmo fosse esse alguém. E deixava q fizesse o trabalho sujo até q não mais me aguentava e me tornava realmente ativa nesse jogo! rs

    bjs fantasiosos
    marrie

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